Um menino com oito anos de idade cursando o segundo ano primário leu a seguinte redação no final do ano letivo:A biblioteca de minha escola possui três mil livros. Estão nas prateleiras e estantes do educandário sem que ninguém os colocasse lá. Locomoveram-se sozinhos e se puseram em ordem alfabética espontaneamente.
As colorações variadas de suas páginas apareceram sem mãos pintoras; foi algo muito interessante. A paginação, os temas, os formatos e tamanhos de cada volume vieram do acaso, mas foram organizados suficientemente para prender a atenção e criar a admiração dos que ali entrarem.
A máquina de escrever cada página do livro trabalhou sem auxílio de ninguém; foi admirável. Ouvia-se o barulho das teclas, mas não havia pessoa nenhuma por perto. O papel entrava e saía automaticamente. As correções gramaticais e outras se deram sem correção humana.
O menino foi criando um clima de estranheza nos ouvintes, mas continuou sua leitura pausadamente. Disse que os mais de mil temas se enfileiraram prontos sem nenhum cérebro raciocinando e nem uma mão escrevendo.
A caixa da máquina de escrever era de metal fundido, mas o fogo e o forno que a manufaturaram acenderam prontamente sem que ninguém manuseasse isqueiro ou fósforo. Foi devidamente composta sozinha.
O mais admirável, porém, foi que as teclas se ordenaram em ordem alfabética corretamente de modo espontâneo. Não houve o auxílio de mãos. As molas, os parafusos, o verniz do polimento operaram no momento próprio e no lugar certo.
A sala da biblioteca foi chiquemente decorada com desenhos nas paredes e luminosos pendurados no teto. As cadeiras e mesas de última geração adentraram ali vagarosamente, sem barulho e se puseram nos moldes adequados de uma sala de leituras; tudo isso ocorreu sem nenhum agente operando.
A biblioteca foi edificada de modo inexplicável também. As plantações do terreno e as pedras foram se retirando misteriosamente. Tijolos, areia e cimento foram sendo amontoados no lugar. Repentinamente um vento assoprou forte o barulho que quebrou o silêncio do lugar.
Buracos foram sendo formados e se enchendo de brita e concreto; tijolos se colocaram um sobre o outro com massa no meio; reboco foi sendo feito rapidamente. Tintura brilhou nas paredes e tudo ocorreu sem homens trabalhando. Foi obra do acaso.
A platéia assustada com tudo aquilo ficou boquiaberta. O orador assustou o próprio pai, mas não pode deixar de reproduzir o que ouvira daquele desde a primeira infância sobre o mundo existente cheio de galáxias e de planetas.
Ouvira inúmeras vezes que o mundo infinito veio a existir sem ninguém na programação e na execução. Surgiu mecânica e espontaneamente. Big-bang! Pronto!
Dá para crer nisso?
O pobre menino passou vexame diante do público que o ouviu atenciosamente. Foi tido como alguém da mente desconexa com a realidade da vida. Os filhos falam o que ouvem, na maioria das vezes, de seus pais.
O que nossos filhos estão ouvindo de nós?
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